A ajuda (In)suficiente
Jornal de Leiria, 15 de Junho de 2023

Patrícia Esperança Lopes
Psicóloga Clínica e da Saúde
Há cerca de 3 anos o Mundo acordava para enfrentar uma das maiores emergências de saúde pública. Para além das preocupações com a saúde física, surgiram também preocupações relativamente ao sofrimento psicológico experienciado, quer pela população em geral, quer pelos profissionais de saúde.
Foi neste contexto que surgiu a Linha de Aconselhamento Psicológico (LAP), integrada na conhecida Linha de Saúde 24h, que prevê um atendimento baseado nos pressupostos da intervenção em crise e se mantém até aos dias de hoje.
Num país onde escasseiam as respostas de cuidado ao nível da saúde mental, onde faltam psicólogos nas escolas, nos hospitais, nos centros de saúde, este recurso surge como opção de primeira linha e, em muitos casos, como única opção. Coloca-se então a questão, serás esta, a ajuda suficiente?
A intervenção em crise não prevê a substituição de uma intervenção terapêutica estruturada, contudo, num momento em que os encaminhamentos são morosos e a capacidade financeira da maioria dos portugueses é limitada, esta linha assume uma missão muito importante: dotar os utentes de recursos e ferramentas que lhes permitam enfrentar, a curto prazo, as dificuldades sentidas. Efetivamente, alguns estudos têm suportado a eficácia das intervenções telefónicas cognitivo-comportamentais, para pessoas com experiência de ansiedade, depressão e desordem obsessivo-compulsiva. Salientam igualmente a necessidade de as adaptar à população em geral, com foco na psicoeducação. Este tipo de intervenção poderá, em alguns casos prevenir o sofrimento e/ou promover o bem-estar e este, junto com a intervenção em crise, tem sido parte do trabalho realizado pela LAP, que em algumas situações poderá ser a ajuda necessárias mas, em muitas outras, é manifestamente insuficiente.
Apesar dos benefícios desta intervenção, não devemos considerar que “é remédio para todos os males” e que está sanada a questão relativa aos cuidados em saúde mental. Efetivamente, há um longo caminho a trilhar no que respeita a estes serviços, a criação de respostas como esta, é uma medida muito positiva mas, insuficiente, para fazer face às necessidades da população. Por conseguinte, não devemos ficar por aqui, à espera que um novo acontecimento trágico dite a mudança de paradigma a nível dos cuidados na saúde mental.