Patrícia Esperança Lopes

A criança e o Luto

Presente, 30 de outubro de 2014

Patrícia Esperança Lopes

Psicóloga Clínica e da Saúde

A vivência do luto é diferente entre crianças e adultos. Comparativamente aos adultos, as crianças são mais dependentes, dispõem de menos informação acerca da morte e apresentam mais limitações em termos de raciocínio abstrato, logo, dificuldade na compreensão da vida e da morte.

Tal não quer dizer que, perante a falta de um parente próximo, não surjam respostas emocionais à perda. De facto, essas respostas podem assumir proporções dramáticas, que serão tanto ou mais agravadas, quando mais enganada se sente a criança. Deparando-se com uma perda, ela própria pode pedir explicações sobre o que se passou. Se o adulto não for verdadeiro, a criança, ao perceber-se enganada, distancia-se dele. Isto agravará os sentimentos de insegurança e ansiedade podendo até enviesar o desenvolvimento harmonioso da sua personalidade. Por outro lado evitar o tema apenas ensina a criança que a morte é um assunto tabu, sobre o qual não se pode ou deve manifestar.

Assim sendo, é imperativo ajudar as crianças a compreenderem o que aconteceu, criando espaço para a partilha de sentimentos de perda. Efetivamente, quando confrontadas com uma perda, são capazes de falar sobre a morte e parecem querer fazer isso, procuram entender o adulto e esforçam-se por perceber o que se passa. O adulto deve explicar claramente e de forma simples os acontecimentos que precederam a morte e até a morte em si, tirando partido da experiência da criança. Esta forma de atuar irá facilitar a sua adaptação à nova realidade.

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