Profissionais da morte aprendem a lidar com o luto
Região de Leiria, 8 de outubro de 2010

Patrícia Esperança Lopes
Psicóloga Clínica e da Saúde
“As associações já tinham detectado esta necessidade”, refere. No entanto, só a partir do reconhecimento das duas profissões, actualmente existentes, “começou a haver formação paga“, neste caso através da Agência Nacional para a Qualificação.
Patrícia Lopes, residente no concelho de Leiria, lecciona Psicologia do Luto, nos programas de formação proporcionados pela Associação de Agentes Funerários do Centro (AAFC).
Segue as fases do luto constantes no modelo de Elisabeth Kübler-Ross, investigadora de nacionalidade suiça, que identificou cinco estádios pelos quais passam as pessoas que enfrentam a perda de um ente querido.
“Falamos um bocado sobre como dar e receber noticias difíceis e fornecemos estratégias para falar com os familiares, assim como a forma de usar uma comunicação assertiva“, explica a psicóloga.
São cursos com a duração de 25 horas, os quais dotam os formandos de alguma capacidade para se protegerem do stress e, ao mesmo tempo, de terem a percepção se as familias precisam de acompanhamento psicológico. Os próprios são capazes, após a formação, de “oferecer algum apoio imediato“, diz Patrícia Lopes.
Uma outra vertente que esta profissional julga ser fundamental “é a organização individual do tempo“. Esta é mais uma área de formação que estes profissionais passaram a frequentar. “Estão sujeitos a horários que os próprios não podem controlar e que podem agravar os níveis de stress que os atingem”, explica. Por isso, é preciso ensiná-los a ultrapassar os problemas dessa impossibilidade de organizar vida pessoal.
São sinais dos tempos e da alteração que se tem vindo a processar nos serviços que as agncias funerárias já começaram a prestar. Muitas delas passaram a contratar psicólogos ou a manter ligação com estes profissionais de modo a não deixar pessoas entregues a si próprias sempre que necessitam de ajuda após a morte de um familiar.
Ensinar crianças a enfrentar as perdas. As situações mais frequentes surgem com idosos que ficam sozinhos após a morte de um membro do casal. Aquele que sobrevive desenvolve, por vezes, “luto patológico” que é preciso tratar. Tal como pode acontecer quando ocorre uma morte violenta ou quando os corpos não aparecem.
Patrícia Lopes está igualmente desperta para a prevenção. Considera importante ensinar as pessoas a lidar com a morte, sobretudo as crianças, a fase etária com a qual trabalha preferencialmente. “Por norma, é mais fácil chegar às crianças do que aos adultos“, diz. Para ensinar “a compreender as perdas”, a partir do dia 16 de Outubro, vai desenvolver um programa com um grupo de crianças. A idade mais aconselhável, assegura que “é a partir dos oito ou nove anos“. E sempre que morre alguém muito próximo da criança aconselha os familiares a ficarem atentos a sintomas de pânico, pesadelos, perda de sono ou insucesso escolar.